Madrugada. Pelo babado no travesseiro já devia ter dormido um bocado, mas não preciso correr os olhos pelo criado-mudo à procura do relógio para saber as horas. Meu vizinho da direita estava no banheiro. Posso afirmar isso sem medo de cometer um desatino porque a janelinha do seu banheiro fica de frente para a janela do meu quarto. Isso não é bom nem ruim. Só é assim. E é somente por esta razão que sou conhecedor de certos hábitos seus.
Não escolhi conhecê-los e nem me esforço para tal. Mas o que há para se fazer quando não se tem escolha? Ele tem um relógio no intestino. Um despertador que o leva para o vaso todos os dias às quatro e quarenta e cinco da manhã. Azar. Deus me deu sono leve – e breve – e qualquer zunzum de pernilongo me desperta. Inda mais se tratando de um ritual de acento, no trono.
É, porque um mero mortal simplesmente sentaria, sem mais delongas, e faria o serviço. Um homem comum pensa assim: tenho que fazer, vou, faço e volto. Mas não. Não ele. Vai até a cozinha, abre a geladeira, toma um copo com água. Caminha até o banheiro e acende a luz. Normalmente dá uma mijada longa enquanto um sonoro peido rompe solitariamente o quase silêncio da madrugada amiga. De sorte que seu eflúvio não alcança meu colchão. Já tenho que dar conta das minhas graveolências, minhas bufas e não seria justo ter que partilhar dos rojões de todo o vizindário.
Voltando ao nosso amigo, não contente, ou por uma questão de método, dá antes uma descarga para, só depois, acomodar-se. Segue-se então um período de calmaria só interrompida por breves e sentidos gemidos. Sou capaz de adivinhar-lhe a protuberância das veias no pescoço pelo esforço. Não deve ser um produto fácil a se por para fora. Fugidio e recalcitrante. Deveras laborioso é lidar com quem não quer abandonar seu torrão se o que buscamos é exatamente promover uma desocupação, mesmo que por força da lei do maior esforço, visto que, neste caso, a Lei da Gravidade pouco contribui.
Depois, um silêncio sepulcral. Longo. Seguido de um suspirar profundo e sincero, cônscio da missão cumprida. Suponho-lhe dando uma última olhada para a sua obra antes de abrir a descarga. Como um artista que têm consciência de que seu trabalho foi feito com meticulosidade, proficiência, cuidado. Mesmo que muitos, depois, digam tratar-se de uma merda.
Não escolhi conhecê-los e nem me esforço para tal. Mas o que há para se fazer quando não se tem escolha? Ele tem um relógio no intestino. Um despertador que o leva para o vaso todos os dias às quatro e quarenta e cinco da manhã. Azar. Deus me deu sono leve – e breve – e qualquer zunzum de pernilongo me desperta. Inda mais se tratando de um ritual de acento, no trono.
É, porque um mero mortal simplesmente sentaria, sem mais delongas, e faria o serviço. Um homem comum pensa assim: tenho que fazer, vou, faço e volto. Mas não. Não ele. Vai até a cozinha, abre a geladeira, toma um copo com água. Caminha até o banheiro e acende a luz. Normalmente dá uma mijada longa enquanto um sonoro peido rompe solitariamente o quase silêncio da madrugada amiga. De sorte que seu eflúvio não alcança meu colchão. Já tenho que dar conta das minhas graveolências, minhas bufas e não seria justo ter que partilhar dos rojões de todo o vizindário.
Voltando ao nosso amigo, não contente, ou por uma questão de método, dá antes uma descarga para, só depois, acomodar-se. Segue-se então um período de calmaria só interrompida por breves e sentidos gemidos. Sou capaz de adivinhar-lhe a protuberância das veias no pescoço pelo esforço. Não deve ser um produto fácil a se por para fora. Fugidio e recalcitrante. Deveras laborioso é lidar com quem não quer abandonar seu torrão se o que buscamos é exatamente promover uma desocupação, mesmo que por força da lei do maior esforço, visto que, neste caso, a Lei da Gravidade pouco contribui.
Depois, um silêncio sepulcral. Longo. Seguido de um suspirar profundo e sincero, cônscio da missão cumprida. Suponho-lhe dando uma última olhada para a sua obra antes de abrir a descarga. Como um artista que têm consciência de que seu trabalho foi feito com meticulosidade, proficiência, cuidado. Mesmo que muitos, depois, digam tratar-se de uma merda.
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