... por que homem gosta menos de doces, sobremesas etc., do que as mulheres? [Aqui já consideradas as exceções de praxe e tome etc etc etc.]
Certamente não é pelo medo de engordar ou avariar os caninos. Como não existe, creio, literatura científica para discutir o assunto, vamos correr solto para tentar compreender o fenômeno.
Para Millôr Fernandes, o caso sempre foi muito simples e não carece de nenhuma frescura teórica. O filósofo de Ipanema disse, nas suas definições definitivas, que macho que é macho não bebe o mel, mastiga as abelhas. Taí o eco também ouvido nos botequins e visto na filosofia de pára-choque.
Despencando ladeira abaixo, para a sociologia dos costumes, damos de cara com "Açúcar'', de Gilberto Freyre. É o grande tratado nacional do doce, embora a prosa bem corrida seja abalroada por expressões pedantes como "simbiose eurotropical'', por exemplo.(Mas, como disse Nina Horta, delicada moça de sabença gastronômica, o cabra precisa ser muito macho para escrever um livro com receitinhas de doces e bolos, em pleno Nordeste de 1939, como fez o homem de Apipucos).
Ao lê-lo, o menos chegado dos homens pega a sua amada pelo braço e desaba para a mais farta banca de doces da cidade de São Paulo: aquela montada aos sábados na praça Benedito Calixto. Para encontrá-la, basta ir em direção a uma roda de choro e samba que fica bem no centro da feira. As lágrimas como guia.
O melhor do local, para quem não é mesmo voltado para a doçaria, é observar o semblante de culpa (pura tolice) das raparigas que se deliciam com uma ambrosia, uma barriga de freira (é isso mesmo?) e outros prazeres do velho, bom, e claustrofóbico Portugal. Como são belas as mulheres culpadas, a conferir no espelho da vitrine mais próxima, sem necessidade, as silhuetas.
Largando a sociologia de lado, voltemos à baixaria propriamente dita, para tentar descobrir uma explicação sobre o nosso desgosto diante dos doces. Pereira, amigo e consultor e laranja deste ignorante que vos fala, tem a resposta. Para o nosso monstro, doce é coisa apenas para três espécies nesse mundo: gay, mulher e formiga.
Certamente não é pelo medo de engordar ou avariar os caninos. Como não existe, creio, literatura científica para discutir o assunto, vamos correr solto para tentar compreender o fenômeno.
Para Millôr Fernandes, o caso sempre foi muito simples e não carece de nenhuma frescura teórica. O filósofo de Ipanema disse, nas suas definições definitivas, que macho que é macho não bebe o mel, mastiga as abelhas. Taí o eco também ouvido nos botequins e visto na filosofia de pára-choque.
Despencando ladeira abaixo, para a sociologia dos costumes, damos de cara com "Açúcar'', de Gilberto Freyre. É o grande tratado nacional do doce, embora a prosa bem corrida seja abalroada por expressões pedantes como "simbiose eurotropical'', por exemplo.(Mas, como disse Nina Horta, delicada moça de sabença gastronômica, o cabra precisa ser muito macho para escrever um livro com receitinhas de doces e bolos, em pleno Nordeste de 1939, como fez o homem de Apipucos).
Ao lê-lo, o menos chegado dos homens pega a sua amada pelo braço e desaba para a mais farta banca de doces da cidade de São Paulo: aquela montada aos sábados na praça Benedito Calixto. Para encontrá-la, basta ir em direção a uma roda de choro e samba que fica bem no centro da feira. As lágrimas como guia.
O melhor do local, para quem não é mesmo voltado para a doçaria, é observar o semblante de culpa (pura tolice) das raparigas que se deliciam com uma ambrosia, uma barriga de freira (é isso mesmo?) e outros prazeres do velho, bom, e claustrofóbico Portugal. Como são belas as mulheres culpadas, a conferir no espelho da vitrine mais próxima, sem necessidade, as silhuetas.
Largando a sociologia de lado, voltemos à baixaria propriamente dita, para tentar descobrir uma explicação sobre o nosso desgosto diante dos doces. Pereira, amigo e consultor e laranja deste ignorante que vos fala, tem a resposta. Para o nosso monstro, doce é coisa apenas para três espécies nesse mundo: gay, mulher e formiga.
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